24th nov 2009

Conferência Web W3C – debate sobre certificações

Consegui ir hoje de manhã na 1. Conferência da W3C Brasil (que começou ontem e ainda está rolando nesse exato momento). Achei a estrutura bem bacana – palmas pros organizadores, inclusive por terem escolhido o Blue Tree Towers, wi-fi funcionando belezinha, bom áudio nas salas, ar condicionado ok! para o clima de verão já de São Paulo.
Algumas caras conhecidas, outras que se tornaram depois das discussões pegando fogo no debate sobre ensino de padrões web, certificação e formação profissional na área de front-end. Estava presentes o (já famoso) Diego Eis da Visie, Evaldo Bechara (da iLearn, escola carioca), Fábio Flatschart do Senac e Marcelo Moura do Grupo Impacta.

O debate durou uma hora e meia, e durante ele muito se falou sobre o benefício – ou não – de se ter certificação para o profissional front-end (aquele que escreve html/CSS, programa em javascript) e quem poderia certificar profissionais. Muitos pontos de vistas foram levantados, e ficou claro que ainda dá para separar o joio do trigo; mesmo tendo 4 representantes de instituições de ensino, nota-se que existem aquelas que estão interessadas em realmente educar e ensinar (no caso a Visie, iLearn e Senac) e outras que só querem vender um papel (não sei se essa é a real posição da Impacta, mas foi o que seu representante deixou transparecer). A própria W3C através de um representante (que esqueci o nome) deixou claro que nem ela está certa do que fazer e se seria interessante – apesar de saber que economicamente seria uma ótima forma de conseguir mais recursos, a organização tem dúvidas quanto a necessidade de certificar profissionais e que o próprio Tim Berners não é favorável a isso nesse exato momento.

Foi visto que existem diferentes enfoques e utilidades – ou não – para certificações. Profissionais podem ser estimulados a estudar mais e de uma forma melhor, com conteúdo oficial de uma organização mundial que define padrões levando em conta o lado técnico do mercado e não o econômico, empresas podem se valer disso na hora do seu processo seletivo e na garantia de ter um profissional que, ao menos, comprovou uma dedicação ao estudo. E é claro que para as instituições de ensino isso pode vir a ser uma mina de ouro!
De um lado negativo, foi levantado que o profissional pode focar mais na certificação do que no conhecimento – o que ocorre em diversas certificações de outras tecnologias – e que as empresas podem acabar deixando pra trás profissionais não-certificados nas suas seleções, e que, ainda, instituições de ensino podem começar a vender “como passar na prova” do que disseminar conteúdo.

Minha opinião? É que tudo isso, àcima, aconteceria. Não há como garantir um mercado uniforme; existem empresas que adotariam a certificação como mais um filtro (especificamente as que têm processos seletivos de grande porte, ou ainda o governo), outras que continuariam com o processo seletivo da forma que fazem hoje (provas, indicações, site pessoal com portfólio, etc…); profissionais bons usariam o cerificado como um a mais, enquanto que os medíocres o usariam apenas para falar que são certificados.
E as escolas de qualidade conseguiriam mesclar ambos, conseguindo formar profissionais mais completos e com um atestado de uma organização maior.

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8 Responses to “Conferência Web W3C – debate sobre certificações”

  1. Igor Escobar says with Chrome on Windows XP

    Vou escrever no meu blog algumas considerações sobre este assunto e complemento com o seu, tinha pensando em escrever este post mais ainda não tive tempo de faze-lo! Bacana! =*

  2. Tweets that mention Chris B. – idéias e pensamentos » Conferência Web W3C – debate sobre certificações -- Topsy.com says with

    [...] This post was mentioned on Twitter by Guilherme Serrano, Chris Benseler and Guilherme Dayoub, Rafael Cavalcante. Rafael Cavalcante said: Debate sobre certificações na conferência W3C http://bit.ly/4ueZiq/ (via @chrisloki) [...]

  3. Guilherme Serrano says with Firefox on Windows XP

    Acompanhei a discussão pelo Twitter, acho o debate interessante… assim como eu muitas outras áreas, acredito que o diploma ou certificação até podem ser úteis, mas não podem ser definitivos na seleção de um desenvolvedor – apesar de, como citado no post, serem utilizados como um filtro para seleção.

    Ainda não tenho uma opinião definida sobre o assunto, mas acho que uma certificação de “interface” ou de html pode ser bacana principalmente por dois motivos: tentar elevar o nível do mercado (o que pode ser uma tentativa boba, devido ao já explicado: livros de “passe na certificação…”) e também por *talvez* aumentar (ou fazer) pressão no desenvolvimento de navegadores, já que padronizando a certificação teoricamente muito mais desenvolvedores aprenderiam e seguiriam padrões, forçando cada vez mais o uso dos mesmos…

  4. Alexsandro says with Firefox on Windows Vista

    Consegui assistir nadinha do evento por causa do erro: Stream not found: w3c_original

    Tristeza viu!..

  5. Herbert says with Firefox on Mac Os X 10.5

    Chris, não sei se tem mais o que falar sobre esse encontro, mas bem interessante esses pontos que vc já colocou. Realmente o debate sobre a necessidade ou validade dessas certificações é muito controverso, então só vou falar do que conheço por experiência própria.
    Como designer, tive boas e más experiências com escolas de ensino de software. O que sinto é que quanto mais o software evolui, pior fica o ensino do mesmo, porque os cursos tendem a focar nos recursos mais novos e, muitas vezes, desenecessários das novas versões e se omitem de ensinar as funções mais básicas e realmente importantes.
    E como empregador, eu aprendi a olhar com muita desconfiança para esses certificados, pois eles não são prova nenhuma de conhecimento do software em questão, sendo que prefiro muito mais acreditar no que vejo em porfólios ou em entrevista, visto que muita gente com quem falei e que possuia certificações não demostrava ter um mínimo de domínio sobre o software certificado.
    Sei que o certificado serve como primeiro parâmetro quando se tem um processo seletivo muito extenso, como numa grande empresa, mas receio que se a qualidade do ensino continuar a afundar do jeito que tem feito, logo esses pedaços de papel estarão descreditados por completo e continuaremos com a grande dificuldade que é a de escolher funcionários capacitados sem ser por indicação.

  6. Igor Escobar // Blog » Um pouco sobre certificações (W3C) says with Wordpress

    [...] amigo Chris também falou e apontou suas consideração sobre o debate, vale a pena dar uma lida [...]

  7. Eu fui na Conferência Web W3C – webbr2009 « Eventos « Thiago TPC says with Wordpress

    [...] Conferência Web Web W3C – debate sobre certificações Tags: Conferência, HTML5, São Paulo, W3C, webbr2009 [...]

  8. @diegorv says with Safari on Mac Os X 10.5

    Perfeito seu post, gostei de tudo, principalmente esse trecho:

    “De um lado negativo, foi levantado que o profissional pode focar mais na certificação do que no conhecimento – o que ocorre em diversas certificações de outras tecnologias – e que as empresas podem acabar deixando pra trás profissionais não-certificados nas suas seleções, e que, ainda, instituições de ensino podem começar a vender “como passar na prova” do que disseminar conteúdo.”

    Mas sua opnião final é exatamente o que deveria acontecer e não acontece… hehe ;-)

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