Ninguém agrega conteúdo de graça

O mimimi da semana (ou do dia?) na internerd é a história do Instagram poder começar a comercializar as fotos dos usuários sem nenhum ônus, com a recente mudança dos termos de uso. Claro que, a princípio, não faz sentido: é seu, ninguém pode vender o que é seu. Mas por que não ver esse assunto através de outros pontos de vista… que serviço da web gratuito que agrega conteúdo não o usa para ganhar dinheiro, de diversas formas?

Vamos lá:

  • o Twitter vende espaço na sua timeline para anunciantes. E são anúncios contextualizados, ou seja, eles vendem a sua timeline (a partir do que você escreveu) para alguém;
  • o Google contextualiza cada e-mail seu do Gmail e vende anúncios a partir do que você recebe de terceiros e do que você mesmo escreve. Cara, eles acessam o conteúdo do seu e-mail;
  • o Facebook também vende anúncios a partir do que acontece sua timeline;
  • sites agregadores de conteúdo (nem sei quais são os mais usados, mas por exemplo o Ocioso) recebem links para gerar visitação e vendem propaganda;
  • quantas promoções não são feitas na base do “poste algo na rede social XPTO, use a hashtag #minhatag e espere o sorteio“? O sorteio é pra que? Para conseguir mais audiência, mais visitantes, qualquer coisa do gênero… e vender algo para o cliente que contratou a campanha.

Nenhum deles é explícito com essa questão de “vou pegar o que você contribuiu e vender” mas, no fundo, eles fazem isso. Eles vendem o que você compartilhou, só muda o modelo.

Agora, quem realmente vai ser afetado por uma possível – e, vejam, eles passam a ter o direito, mas não disseram que vão fazer – comercialização das fotos no Instagram? Consigo pensar numa parcela infinitamente reduzida de usuários do Instagram que pode vir a perder com essa mudança, e mesmo assim fico pensando: quem sobe uma foto “profissional” para um serviço aberto na web sem uma marca-d’água? E não é o mesmo que subir num Flickr ou Picasa e alguém ir lá e roubar? E a qualidade das imagens que são armazenadas no Instagram, dá pra levar em conta?

Outro ponto: todo mundo critica, mas quem pagaria para instalar a app ou pagaria uma mensalidade para armazenar as imagens lá? De alguma forma o serviço precisa ser monetizado. É a velha história explicada (também) no livro Free do Chris Anderson: ninguém dá nada de graça. Você acha que é consumidor de um serviço gratuito? Não. Você é um produto que ele revende para alguém.

O assunto é bem complexo e como tudo que envolve os meios digitais, encontra paradigmas diferentes do nosso “mundo físico”. Aliás, se fossemos seguir a risca as regras do mundo físico, a web como conhecemos hoje não existiria. Ela seria amarrada demais.

Ah, e fica a dica pro post do Edney, que realmente manja desse assunto.

Veja também

    2 thoughts on “Ninguém agrega conteúdo de graça

      • Os usuários são parceiros dos servicós web “gratuitos”: eles te dão algo (armazenamento, divulgação, exposição, etcetcetc) e vc tem que dar algo em troca. É simples assim, o mundo é assim.

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